[dedicada a José Afonso]
Como um pássaro pousado
bem no alto de uma árvore,
Abril vigia o seu tempo
alerta, que tudo muda.
A folha mais pequena das plantas
verdeja mentiras de bom tempo,
e o céu, ora cinzento, ora convidativo.
Entre a poeira dourada
que os plátanos produzem
passam as pessoas indiferentes,
entre silvos vivos e feridos
canta e ajuda o vento.
Um Abril trouxe-me
no ar uma canção,
meu amigo a cantava,
também a quero cantar eu.
Ai, Abril, mês amoroso,
ar de luz,
voa então!
Que levará o rio de Abril
dentro da corrente:
água limpa, água suja,
horas boas ou mau tempo?
Serão de morte ou de vida
estas flores?
Eu quero a do meu amigo,
cravo de bons odores.
Querido, não estejas triste
se te custa respirar;
se não trouxe a mudança Março
um bom Abril o fará.
Publicado por ialternativa